meu entulho querido

notes

Análise tática despretensiosa

Na tentativa de ilustrar o que eu disse no tópico anterior, faço aqui uma análise tática que se pretende a, no máximo, se aproximar da realidade, sem poder abarcá-la em sua plenitude. Aos que considerarem a análise incorreta, saibam que dou total razão a vocês. Está mesmo incorreta.

O time do Atlético com Ricardinho ataca mais-ou-menos da seguinte maneira:

com Ricardinho

Com Ricardinho parado no meio, passando a bola entre os dois laterais e os dois volantes, todos parados, imóveis, de um jeito que a torcida assumidamente repudia. Os dois atacantes se movimentam como podem, sem nunca, em hipótese alguma, receberem a bola, a não ser que voltem até a linha formada pelos volantes e laterais na intermediária, local onde com nada eles podem contribuir.

Dentro da área não há uma viv’alma e as sobras são sempre dos zagueiros adversários. Toda e qualquer investida efusiva de ataque atleticano é oriunda de jogadas individuais com chances baixíssimas de algum resultado. O time, quando joga assim, é covarde, e essa covardia fica clara quando se olha para o desenho do jogo (esse desenho aí acima mesmo), um monte de jogar em volta da meta adversária, mas sem se atrever a atacá-la.

Já o time antigo do Atlético, o time burro e corredor, sem “camisa 10” (me perdoem a insistência em repetir isto o tempo inteiro), era diferente:

sem Ricardinho

Com menos jogadores, éramos capazes de produzir muito mais ofensividade. O meiocampista à época, cujo espaço foi roubado por Ricardinho agora, era Júnior - e depois Evandro -, fazia a função do verdadeiro meiocampista atleticano: caía para um dos lados como atacante (no caso à esquerda) ou entrava no meio da área para finalizar caso o atacante central deixasse esse lugar. Como time jogava com muita velocidade e como Tardelli não joga parado, Júnior (e também Evandro) estavam sempre dentro da área, ou trocando passes na extrema-esquerda com Feltri e o próprio Tardelli.

A movimentação não ficava só aí: Tardelli corria por todo o ataque (e mesmo assim sempre havia alguém na área), o que dava mais liberdade para Éder e Carlos Alberto trabalharem - às vezes ajudados por Márcio Araújo. Desconfio também que a qualidade de Feltri, que àquela época estava irreconhecivelmente bem, apareceu graças a esse tipo de jogo dinâmico e bem montado por Celso Roth.

Todas as táticas têm pontos fortes e fracos, e as duas abstrações de sistema tático acima descritas não fogem à regra. Mas, a julgar pelo que se ouve no estádio, a essa altura do campeonato a torcida atleticana já fez a sua opção.