meu entulho querido

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A Revolução do Vinagre de 2013

O 4º Ato em Belo Horizonte – 22/06/2013
Uma visão descritiva sobre o que aconteceu, por Rafael Lage

O primeiro momento da marcha:

Na praça Sete, o climas, dema era festivo, muitos grupos sociais presentes, muitas manifestações, cidi não ficar por lá e fui andando pela Av. Antônio Carlos, até chegar na barreira da Tropa de Choque e da Força Nacional de Segurança, que se encontrava na subida pro estádio do Mineirão, na Av. Abraão Caram.

Segundo momento da marcha:

Em frente à tropa de choque, algumas pessoas se exaltavam, falavam que o “território Fifa” era um atendado a soberania nacional, um cerceamento do direito de ir e vir. Havia um comandante da policia ouvindo as pessoas, mas completamente intransigente, afirmava que se tentassem passar a policia iria reagir. Vez ou outra uma pedra voava em direção a policia, ou então, era uma bombinha que estourava próximo a eles.

Em uma das vias da avenida tinha uma roda de capoeira acontecendo e do outro lado um grupo de manifestantes com escudos estava pronto pra se defender. Essa era a linha de frente para a tropa de choque. Quando de repente as pedras jogadas contra a policia aumentaram de intensidade e veio a primeira carga dos policiais, bombas de efeito moral, bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha. Os manifestantes recuaram, um senhor de cabelos brancos estava com um machucado na cabeça, sangrava muito, a policia então correu até ele e o puxou para trás da tropa de choque.
Isso se repetiu pelo menos umas cinco vezes, a policia jogava bombas e os manifestantes dispersavam, mas voltavam para a linha de frente.

Percebi então que uns 300 metros abaixo, alguns manifestantes revoltados com a ação da policia, começaram a depredar lojas na Av. Antônio Carlos. Corri até lá e quando cheguei, havia uma cavalaria da policia, os manifestantes partiram pra cima deles e os policiais tiveram que correr para não apanhar.

Então começou a aparecer policia de todos os lados, eu fui para debaixo do viaduto e bombas começaram a estourar, algumas em cima do viaduto. De repente, uma pessoa caiu do viaduto, a 5 metros de mim, foi feio, não quero falar sobre isso.

Havia nitidamente um grupo entre 500 e mil pessoas na linha de frente do conflito, mas, quando olhei para trás, vi que havia pelo menos umas 40 mil pessoas na avenida, dando total apoio a atitude, cantando e incentivando a resistência. Comecei a observar os tais “vândalos” e vi que havia pessoas de várias idades, homens e mulheres, de várias classes sociais. De fato não é um grupo homogêneo, e nem mesmo da para usar o termo de “infiltrados”, era sim uma expressiva representatividade dos grupos que estavam presentes na marcha e quem não estava com a pedra na mão, estava solidário ao que acontecia. Uma coisa que me marcou, havia um homem que no inicio do conflito insistia em gritar “Sem Violência”, no inicio da noite vi ele com pedras na mão tentando acertar a força nacional que se escondia nas matas da UFMG. Logo deduzi, todos ali éramos cumplices do que aconteceu.

Em nenhum momento as pessoas que registravam os atos de depredação foram agredidos ou ameaçados, não vi nenhum furto acontecer, os tais “vândalos” eram solidários e pareciam mirar apenas objetos simbólicos. E assim, a marcha começou a recuar em direção ao centro da cidade, de volta a praça Sete.

O terceiro momento da marcha:

Ao chegar na praça Sete, comecei a perceber que havia policia em todas as esquinas, o clima foi ficando esquisito e de repente apareceu a tropa de choque, o Caveirão (um carro esquisito da policia) e muita, muita policia. Começamos a ser encurralados, só podíamos recuar pela Av. Afonso Pena, todas as transversais estavam cercadas, muita bomba, bala de borracha e policiais marchando em nossa direção. Ao chegar próximo a rua da Bahia, observei que o viaduto Santa Tereza estava livre, chamei algumas pessoas e escapei por ali.

Antes de ir, ainda olhei pra trás e vi que umas 300 pessoas decidiram ficar e esperar pra ver o que ia acontecer.