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a Trindade na doutrina da Seicho-no-Ie

Deus, que é o Ser infinito, é absoluto e único. Quanto a esse ponto, está correto o que o Cristianismo prega. Entretanto, no Japão fala-se em “oito milhões de deuses”, que significa um número muito grande de deuses. No budismo também existem muitas divindades protetoras da Verdade, tais como: Dhrtarastra (Jikoku-ten), Vaisravana (Bishamon-ten), Sakra Devanamindra (Taishaku-ten). É compreensível que, para o cristianismo, que prega um único Ser infinito, pareçam ser superstição as doutrinas que pregam diversos deuses. Qualquer pessoa questiona: “Será Deus único ou múltiplo?”. Portanto, é preciso resolver em primeiro lugar essa questão.
Para esclarecer se Deus é único ou múltiplo, é preciso conhecer o significado da palavra Deus. Em japonês, o ideograma Kami tem três acepções:

Na primeira acepção, ele significa Deus Criador. A origem dessa palavra vem de kamu e indica a ação de amor que cria as coisas pela união harmoniosa do superior com o inferior, do céu com a terra, do pólo negativo com o pólo positivo. Kami, na primeira acepção, é “Deus criador” que tudo cria pela harmoniosa união do negativo com o positivo, isto é, pela ação do amor.

Na segunda acepção, Kami é “Ser que emite luz”. Na seita Ittoen, dizem “Sagrada Luz”. No budismo se diz “Luz Misteriora” ou “Buda de luz infinita”. No cristianismo, lê-se no Gênesis: “Deus disse: Exista luz. E a luz existiu”. Nesta segunda acepção, Deus é a luz salvadora que se manifestou do mundo absoluto, atendendo aos anseios de salvação dos homens e assumindo diferentes imagens conforme as circunstâncias. É o caso dos anjos, de que fala o cristianismo. Eles são concretizações das vibrações espirituais de salvação emitidas por Deus absoluto e único. A divindade da Seicho-no-Ie que alguns adeptos viram pela vidência é também uma corporificação das ondas de salvação. Em quaisquer casos, a origem é uma só; diferem os nomes conforme a missão. Por exemplo, Avalokitésvara (que percebe a voz do mundo) tem esse nome porque sua função é orientar as pessoas, percebendo-lhes a necessidade e o mudo clamor. Amithaba (luz eterna) é assim chamado porque tem a função de iluminar e salvar eternamente as pessoas, inclusive após a morte física. A divindade Amaterassu (que ilumina o Universo) é o nome dado à função de iluminar o Universo e vivificar todos os seres. A divindade da Seicho-no-Ie (lar do progredir) em sentido estrito tem a função de fazer os lares progredirem e, em sentido lato, significa força salvadora que propaga a Verdade que rege o Universo (grande lar). Na essência, Deus é UM, mas emite diferentes ondas espirituais de salvação, e por isto há diferentes imagens vistas através da vidência. Isto se compara à luz solar que, embora única na origem, se vista através de um prisma, desdobra-se em sete cores, cada uma influenciando diferentemente o corpo humano.

Na terceira acepção, kami é a abreviação de kakurimi (corpo oculto, não visível aos olhos carnais). Porém, não é que não possua corpo; é provido de um corpo muito sutil. São muito diversificados os tipos de kami desta categoria: entre os superiores, há espíritos humanos que, tendo conseguido o grau divino, habitam mundos divinos muito elevados. No budismo se diz que aquele que pratica o bem neste mundo nascerá no “céu”, e os deuses que estão nos “céus” (mundo dos espíritos elevados) pertencem a esta categoria de kami.

A Verdade da Vida, volume II, Masaharu Taniguchi, páginas 120-122.